
Não é saudosismo, é a mais pura realidade, os jovens de hoje, não direi perderam, pois acredito eu, nunca tiveram uma boa relação com a educação, com valores éticos ou morais. Em relação à hierarquia então o que dizer a maioria nem sequer sabe bem ao que se refere.
É a globalização, é a internet, são as companhias. Motivos e culpados existem aos montes e é infinitamente mais fácil atribuirmos a outros uma responsabilidade que é nossa, educar nossas crianças, porém não é necessariamente uma tarefa exclusiva. Nós podemos e devemos cercar nossos filhos de boas pessoas e de bons exemplos, o psicoterapeuta Steve Biddulph, autor do bestseller “Criando Meninos, enfatiza em seu livro a necessidade de que nossos filhos convivam com “homens de bem”.
Já estive em todos os tipos de “Dojos” (academias de artes marciais), do interior mais longínquo do Tocantins a academia mais luxuosa da zona sul do Rio de Janeiro, passando também por centros internacionais de lutas nos Estados Unidos, Canadá e Europa, e o que pude observar na grande maioria dos lugares em que estive, é o comprometimento dos mestres e praticantes com a cordialidade, com a ética e com uma incessante busca pelo desenvolvimento no aspecto humano.
Obviamente encontramos sujeitos que deturpam todo tipo de ensinamento e filosofia, e não haveria de ser diferente nesse meio, onde encontramos charlatões como em qualquer área profissional, porém posso garantir que existem grandes homens dispostos a formarem pessoas melhores, mais perseverantes, cordiais e conscientes de seus deveres para com a sociedade.
A não muito tempo atrás existia uma matéria nas escolas chamada, Educação Moral e Cívica, onde aprendíamos que “o direito de cada um termina onde começa o direito do outro”, o que a meu ver bastaria para um mundo melhor, lamentavelmente algum “educador” resolveu que isto talvez não fosse relevante em nossa sociedade, e resolveu excluir essa matéria do currículo escolar.
Lamúrias a parte, fato é que convivemos com maus exemplos diariamente, de políticos corruptos impunes a menores assassinos ilesos, vivemos num país onde a prioridade é do automóvel, e a transgressão de “pequenas” regras é prática diária. Onde poderíamos então procurar bons exemplos para nossos filhos?
Os esportes em geral tendem a proporcionar um contato maior com boas atitudes como o companheirismo, a lealdade e o censo de justiça, porém nas artes marciais isto tudo, e muito mais, é levado muito a sério, onde é praticamente feita uma seleção natural onde quem insiste em não se adaptar acaba por explicitar sua dificuldade de relacionamento social, sinalizando talvez a necessidade de uma abordagem profissional que feita no momento e da maneira adequadas certamente contribuirão em muito para a solução de problemas dessa natureza. Mas quando me refiro as Artes Marciais, obviamente trato de estabelecimentos e pessoas sérias respaldadas em uma história dentro da arte, do profissionalismo e da vida.
Por isso, acredito eu, que a arte marcial praticada não com o objetivo de formarmos lutadores e atletas, mas sim como uma prática regular, onde nossos filhos teriam contato com noções de disciplina, respeito, hierarquia e honra, tal qual uma matéria escolar, daquelas que talvez nunca utilizemos em nossas profissões, mas que sempre estarão em nossas memórias ali prontas para darem sua contribuição no momento oportuno, seria de grande valia na formação da personalidade e caráter de nossos filhos.
Tenho quase trinta anos da prática de artes marciais, e posso afirmar inequivocamente que ela me fez um homem melhor, e hoje me auxilia muito na educação e na formação de meu filho.
Oss!
Vinicio Antony.